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Rebanho Bovino Brasileiro Bate Recorde 234,4 Milhões de Animais

Rebanho bovino brasileiro

O Jornal da Globo apresentou no dia 29 de setembro de 2023 a situação do mercado de carnes e couro e o projeto piloto de rastreabilidade individual realizado com frigoríficos e a Durlicouros. Leia o conteúdo da matéria ou acesse o vídeo da Globo.

Rebanho Bovino Brasileiro Bate Recorde 234,4 Milhões de Animais

O rebanho bovino brasileiro bateu recorde no ano passado, mais de 234 milhões de animais e o grande desafio que o mundo impõe aos produtores nacionais é conciliar a criação com a preservação das florestas.

A imagem de perder de vista é só uma fração do espaço que a pecuária brasileira ocupa. Quase 20% do território nacional já é dedicado à criação de gado. O desafio é impedir que crescimento da produção que ajuda a sustentar a balança comercial brasileira e a alimentar o mundo ultrapasse a fronteira agrícola, que separa o campo da floresta.

Segundo Lisandro Inakake de Souza, coordenador de projeto do Imaflora, o desmatamento no Brasil possui alguns importantes vetores, que chamamos de drivers de desmatamento, um deles é a pecuária.

Segundo o Mapbiomas mais da metade das áreas convertidas em pasto em mais de 3 décadas são provenientes de vegetação nativa, uma área maior que o território da França (61,4 milhões de hectares entre 1985 e 2022). O risco ambiental afasta compradores importantes.

A exportação brasileira bateu recorde ano passado, mais de 2 milhões de toneladas. Nossa produção chegou a mais de 150 países, mais da metade no gado brasileiro vai para um único cliente, a China (54,70%). O segundo comprador são os Estados Unidos em uma proporção bem menor (5,93%). A União Europeia aparece em 5º lugar (3,77%), atrás de países como Egito (4,27%) e Hong Kong (4,19%).

“Regramentos estão sendo apresentados pelos países compradores de carne para buscar de certa forma a empurrar ou impulsionar que medidas sejam tomadas no Brasil. Então precisamos olhar para essas demandas que vem como grande oportunidade e oferecendo uma qualidade social e ambiental do produto brasileiro.” Lisandro Inakake de Souza, coordenador de projeto do Imaflora.

Desde 2009, frigoríficos da Amazônia, bioma vigiado no mundo hoje, se comprometeram com algum tipo de rastreamento na cadeia para combater o desmatamento. Em 2019, o Imaflora em parceria com o Ministério Público Federal deu um importante passo com o Protocolo Boi na Linha. Desde então a indústria fiscaliza uma série de indicadores socioambientais. Mas na prática, isso chega só aos fornecedores diretos.

“Hoje o Brasil tem uma rastreabilidade oficial que é baseada em um documento chamada Guia de Trânsito Animal, é uma rastreabilidade que você controla o movimento de grupos de animais. A outra maneira, é você ter uma rastreabilidade individual, e aí você consegue seguir o caminho daquele animal individualmente, por onde ele passou.” Fernando Sampaio – diretor de sustentabilidade da ABIEC.

A solução apontada por especialistas para proteger a Floresta Amazônica envolve tecnologia para monitorar a cadeia produtiva. Em Rio Maria, sudeste do Pará, já existe um programa piloto para rastrear os animais. A adesão dos fazendeiros é voluntária e o objetivo é transformar a pecuária em uma atividade sustentável. Os bezerros recebem um brinco que é intrasferível. Nele estão contidas informações sobre a origem e a saúde do animal e esses dados servem para mostrar que a fazenda cumpre as exigências ambientais e sanitárias.

As informações são monitoradas por uma consultoria ambiental e por uma empresa de certificação credenciada pelo SISBOV – Sistema Brasileira de Rastreabilidade.

“Toda a vez que o animal for transferido de uma propriedade para a outra, a gente utiliza identificação oficial, então vai para a base nacional de dados do SISBOV. Ali é feita a transferência do animal de uma fazenda aderente para outra fazenda aderente e aí acompanha o animal durante toda a vida até a indústria” Jordan Timo Carvalho – engenheiro agrônomo e diretor da Niceplanet.

Uma fazenda em Rio Maria, no sul do Pará, que participa do programa, cria bezerros por nove meses até o desmame, esse é o ponto de partida de uma longa cadeia produtiva.

Quando sai da primeira fazenda, o rebanho é vendido para propriedades de recria, onde o gado cresce e se torna adulto. Depois, o animal vai para as fazendas de engorda, um ciclo curto, onde o boi ganha peso antes do abate.

“Esse rastreamento vai até a etiqueta da carne dos animais, aonde um QR Code vai transferir para um site falando a vida completa desse animal. Então crescido na fazenda Rincão, feito recria na fazenda X, e engorda na fazenda XX. Então vai saber a vida total do animal”. Humberto Paulinelli – pecuarista.

“As vezes o boi passa por três, quatro, cinco fazendas na vida dele, até chegar no frigorífico. Desde 2009, a nossa indústria controla critérios socioambientais na compra de boi. Olhando para a Amazônia, essas empresas já fazem esse controle da exportação, 84% dos abates já são monitorados e auditados e a gente pretende inclusive chegar em 100% de controle até o ano que vem. Mas a indústria frigorífica ela consegue fazer isso hoje para a fazenda que fornece direto para o frigoríco. Então esse é o verdadeiro desafio hoje, é o de você estender esse controle, essa rastreabilidade para a cadeia inteira. Fernando Sampaio – diretor de sustentabilidade da ABIEC.

Esse é um passaporte verde para novos mercados, que vai além da carne.

A pele do boi abatido no frigorífico em Rio Maria vem para esse Curtume no município vizinho de Xinguara, aqui são produzidas cerca de 4500 peça (Durlicouros) de couro por dia. A empresa exporta 80% da produção para Europa e Ásia e sente a pressão dos clientes. Aqui o desafio é maior para comprovar a origem do couro, porque essa é uma das últimas etapas da cadeia produtiva. A saída para atender as exigências do mercado é comprar a matéria-prima de frigoríficos certificados, para evitar problemas sociais e ambientais que podem prejudicar o negócio.

Cada pele produzida recebe um carimbo. A numeração indica o frigorífico de origem, o dia do abate do animal e ano de fabricação do couro. Agora soma-se a essas informações todo o histórico registrado nos brincos ao longo da vida de cada animal.

Alguns clientes por exemplo, tem decisões de “Não quero mais comprar de curtumes ou frigoríficos que estão no bioma amazônico”. Exigimos do frigorífico e só compramos de frigoríficos que tem sistema de monitoramento e que fazem rastreabilidade e analisam a conformidade socioambiental das suas compras. Nisso já contribuímos para a cadeia livre de desmatamento. – Ivens Domingos – gerente de sustentabilidade da Durlicouros.

A previsão é que o projeto piloto em Rio Maria passe a rastrear cerca de 100 mil animais nas fazendas da região até o fim do ano.

O gado da Amazônia hoje tem algumas restrições, Europa, Estados Unidos que paga bem, Coréia, Japão. Com essa rastreabilidade, estamos já fazendo um trabalho para podermos vender essa carne do Pará para alguns países que nem o Brasil é habilitado hoje. Então vai ter uma vantagem. Muita gente aqui trabalha certo. A forma que se tem de mostrar que você trabalha certo é a rastreabilidade, não tem outra forma. Roberto Paulinelli – pecuarista e industrial.

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Durlicouros

A empresa, com mais de 60 anos de história, é reconhecida por sua excelência e tradição na indústria de couro. Atua como fornecedor global de wet blue, crust e acabado de alta qualidade para os setores automotivo, de mobiliário e calçadista.

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